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Caixas da Natureza

Reconhecer a natureza que nos cerca, mesmo em grandes cidades, é a proposta desta iniciativa que une pessoas e exibe a diversidade natural brasileira. 

Alice, de 8 anos, percorreu durante dias o bairro em que vive, na cidade de Bauru, interior de São Paulo, em busca de sementes, flores e folhas do cerrado, bioma predominante na região. 

Não foi difícil unir uma grande variedade de peças. Pequenos insetos secos (como cascas de cigarras, gafanhotos, tatus-bolinha), pedras, plumas e até raízes em formatos interessantes foram sendo catalogados pela garota. Com a ajuda dos pais, em sua coleta vasculhou também praças, canteiros e até mesmo vasos domésticos, em busca de preciosidades. 

Tudo isso vai seguir para outra família, outra criança, em outra cidade brasileira. Ao mesmo tempo, outra caixa, de um lugar que Alice não conhece, vai chegar na sua casa, trazendo folhas, flores e raridades de um outro bioma. 

Post no Instagram do Ser Criança é Natural.

Essa troca é a ideia central de um projeto criado em 2015 e que tem conquistado famílias de todo país, chamado caixas da natureza. Segundo a idealizadora do projeto, Ana Carolina Thomé, a ideia é justamente criar uma oportunidade para as famílias reconhecerem a natureza que existe perto delas, independente de morar em cidades grandes ou no campo. Claro, além de um grande estimulo de brincadeira para os pequenos. “Não é preciso fazer grandes viagens para estar em meio a natureza. É preciso reconhecer seu próprio território”, diz Ana, que é  Pedagoga e especialista em Educação Lúdica e Psicomotricidade. 

Ela explicar que Caixas da Natureza é uma iniciativa do Instituto Romã, criado em 2013, e faz parte do Programa Ser Criança é Natural, criado por ela. Em 2018, mais de 600 caixas viajaram pelo Brasil.

Tudo se encaixa

Tudo começa com uma inscrição pelo site www.sercriancaenatural.com.br. Qualquer família que more no Brasil pode se inscrever. A partir daí é feito um sorteio que considera idades aproximadas e lugares distantes e escolhida uma data é enviado para uma família o endereço de outra família em algum lugar do país. Todo mundo faz e todo mundo envia, criando uma grande rede.

Ao realizar a inscrição, o participante recebe um manual para ensinar como montar a caixa, que materiais deve usar e dicas de como tornar tudo mais criativo. 

A criatividade manda. Caixas de papelão, sementes em saquinhos, coladas em folhas, nomes de plantas, historias, tudo vale pra contar um pouco sobre a natureza do lugar onde você vive. Se for um bairro bem urbano, um condomínio, ótimo. Certamente nesse micro universo haverá uma boa gama de sementes, folhas e flores para colecionar. Vale na escola, nas ruas do bairro, numa praça, na praia, no parque. Às caixas também podem ser adicionados cartas, fotos, livros, cartões postais, desenhos e o que mais a criatividade mandar para que você aproxime o destinatário de seu universo verde. É aí que tudo se encaixa.