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Coletivo de plantas

Iniciativa reúne voluntários para reflorestar espaços urbanos coletivos em diversas cidades do interior de São Paulo. A ideia tem dado frutos ambientais e sociais.

Um dia, no ano de 2014, os irmãos Miguel e Khalil Axcar perceberam que faltava árvores frutíferas  no bairro em que viviam, na cidade de Bauru, interior de São Paulo. Em vez de lamentar, os dois juntaram algumas mudas de árvores, ferramentas, enfiaram tudo no porta-malas do carro e saíram germinando as sementes de uma ideia que tem dado muitos frutos. 

Hoje, eles estão à frente do Instituto Fruto Urbano, organização sem fins lucrativos, que já plantou mais de 30 mil mudas de árvores frutíferas em cinco anos de projeto. Isso dá uma média de 16 árvore por dia, durante 1825 dias. Não é pouca coisa. Esses pomares urbanos estão espalhados por cinco cidades da região de Bauru, entre elas Agudos, Piratininga, Bariri e Duartina, todas no noroeste do Estado. 

Ocupam espaços coletivos como praças, parques, áreas de mananciais, terrenos baldios, nascentes de rios e outros pontos que necessitam, tanto de reflorestamento, como de uma sombra (e frutas) para os moradores. 

Entre as espécies estão árvores nativas da região em que são plantadas. No caso de Bauru, as mudas vêm do cerrado, bioma que cobre boa parte do município e oferece uma grande variedade frutas – goiaba, jabuticaba, pitanga, gabiroba, araçá, grumixama, pitomba, cereja-do-rio-grande e beribá estão entre as mais usadas. Como resultado de todo esse trabalho, o projeto tem garantido também um ar mais puro em áreas urbanas, redução do calor através das folhagens e uma grande oferta de frutas regionais às pessoas e aos animas. 

Replicar, replantar 

Miguel conta que, depois das primeiras mudas plantadas, aos poucos mais gente foi se unindo à ideia e várias pessoas começaram a se mobilizar na cidade. “Anunciamos nas redes sociais e começaram a aparecer cada vez mais grupos interessados. Já chegamos a reunir 500 pessoas em um único plantio coletivo. São grupos com perfis bem variados, incluindo voluntários do próprio bairro e profissionais de áreas como comunicação, arquitetura, botânica, design, tecnologia, entre outras”, diz Miguel. Segundo ele, essa união incentiva algo extremamente necessário: a colaboração coletiva em prol do meio ambiente. “Acreditamos nisso”, completa. 

A partir da experiência adquirida com o projeto, o Fruto Urbano resolveu criar uma cartilha para replicar o conhecimento e ensinar como montar seu próprio coletivo e seu próprio pomar. A cartilha pode ser baixada gratuitamente no site do instituto e vem acompanhada de uma meta bem ambiciosa – criar pomares em todos os 5 mil municípios brasileiros. “A ideia é criar uma rede por todo o país. Estamos crescendo pouco a pouco, focando em parcerias, pensando em financiamentos coletivos e outras formas de viabilizar essa empreitada”, diz Miguel, entusiasmado. Atualmente, são cerca de 20 coletivos do Fruto Urbano em formação e muitas iniciativas independentes em todo Brasil que utilizam a metodologia desenvolvida pelo projeto. 

Para participar ou apoiar a criação de pomares urbanos, você precisa acessar a página (www.frutourbano.org.br) ou a fanpage do Fruto Urbano (www.facebook.com/frutourbano/events) e conferir quando vai ser o próximo plantio coletivo. Se não houver nenhum agendado, aproveite para se juntar a essa importante iniciativa e organizar um coletivo na sua cidade. Depois, é só colher os frutos.