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Cotidianamente verde

Era apenas um hobby despretensioso. Tornou-se uma coleção com mais de 600 plantas, centenas de espécies e muita, muita história para contar.

Félix passeia com desenvoltura pelos corredores da casa e é capaz de apontar fases de sua vida em cada vaso. Começou a colecionar plantas apaixonado pelas bromélias, depois vieram os bonsais, as árvores frutíferas, os antúrios e agora tem dado atenção às suculentas. Teve também a fase das tillandsias, uma espécie de mini-bromélia, e com elas a paixão por troncos de árvores, que decoram boa parte dos muros. Antúrios e samambaias também estão presentes. Cada uma a seu tempo. 

Aos 77 anos, analista de sistemas aposentado de uma grande multinacional americana, Félix encontra no trato com o verde o seu descanso, seu hobby e sua trajetória. O resultado é uma coleção de mais de 600 plantas, que torna os corredores da casa em que vive com a esposa, em Campinas, interior de São Paulo. 

Nascido no interior do Estado do Pará, saiu de casa ainda muito jovem. “A minha vida inteira eu andei com planta, eu mudei de cidade tantas vezes e cada vez eu levava minhas plantas preferidas, sempre começava uma floresta, como diziam os amigos que iam em casa”, conta Félix. 

Quando fala das fases de sua vida, relembra sempre dos bonsais. Hoje, os olhares atentos encontram essa pequenas árvores por todo canto, alguns com idade em torno de 15, 20 anos, como Félix faz questão de ressaltar com orgulho “Os bonsais começam a ganhar mais valor com 20, 30 anos, quando ficam mais desejados e respeitados”, explica. “Estes estão quase lá”, completa.

Mapa emocional

As plantas são um mapa de sua vida. Por conta do trabalho, viveu em muitos lugares, como Belo Horizonte, Curitiba, São Paulo e, agora, Campinas. 

Da época que viveu em Curitiba, por exemplo, lembra-se das rhipsalis, conhecida também como cactos macarrão ou rabo-de-gato. “Esta me acompanha há mais de 40 anos”, comenta. 

Ainda teve a fase das ervas medicinais e das árvores frutíferas. Manjericão, alecrim, vários espécies de pimentas e orégano se misturam ornamentalmente. Ele aponta a erva cidreira e explica: “Esse é chamada de capim marinho lá na minha terra, o Pará. Erva cidreira é de uma arvore grande, esse é o capim cidreira”.  

Ao apresentar sua casa, faz questão de ressaltar: “Isso aqui pra mim é um bolha de ar puro e isso já vale a pena, já vale uma vida.” Certamente, são muito mais que isso. São como um diário de mais de seis décadas de vida. Um legado.