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Estação Natureza

No centro da capital espanhola, Madri, uma estação ferroviária do século XIX abriga um grande jardim tropical e surpreende os viajantes. 

Há vários lugares inusitados para se montar um jardim. Imagine, por exemplo, um jardim tropical montado no meio de uma estação ferroviária, no centro de uma grande capital européia. 

Pois a Estação de Atocha, no centro de Madri, abriga um jardim de 4.000 metros quadrados e aproximadamente 400 espécies de plantas – todas de clima tropical, surpreendendo as centenas de pessoas que passam por lá todos os dias para embarcar nos modernos trens que cruzam a Europa. 

Na prática, o grande pátio da estação acabou por tornar-se uma imensa estufa tropical. No verão, a Espanha recebe grande quantidade de luz e calor, que passam pelo teto e pelas paredes translúcidas. No inverno, a temperatura é mantida graças ao auxílio da iluminação artificial. 

O jardim se divide em blocos e abriga um total de 7.000 plantas, entre bromélias, hibiscos, filodendros, palmeiras, gramíneas e plantas aquáticas, que parecem se sentir em casa. Além disso também fazem parte deste inusitado cenário alguns pequenos cágados e carpas que vivem nos lagos artificiais que compõem o jardim. 

Por entre os corredores, passeiam aqueles que aguardam a partida dos trens, ou mesmo os que aproveitam o lugar para descansar. Os blocos de canteiros não se dividem por espécies, mas todo o jardim é organizado e pensado para manter a harmonia entre elas. As estruturas muradas que dividem os canteiros funcionam como bancos para quem quer sentar, e mantem as pessoas em contato quase direto com o verde. 

O edifício foi inaugurado em 1851, com o nome de Estação Meiodia. Após um incêndio, foi recuperada pelo arquiteto Alberto de Palacio, com assistência de Gustave Eiffel, cuja grande obra, todos sabem, está em Paris. O projeto de Rafael Moneo, pronto em 1988, integra à ela a moderna Estação de Atocha. Considerada uma obra de arte da arquitetura ferroviária, foi cenário de acontecimentos históricos, de livros e até de filmes, como Kika, de Pedro Almodóvar. 

Foto: Mindaugas Petrutis on Unsplash