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Cortejar o belo

Professor de inglês, apaixonado por literatura e arte, Paulo Rezende decora sua casa como um pintor que utiliza uma paleta muito especial: as flores.

Entrar na casa de Paulo Rezende já é por si só uma experiência estética. A decoração de cores fortes, paredes com estampas criativas, vasos de cerâmica que são obras de arte, livros, cachepôs belíssimos e peças de artistas renomados, fazem parte uma esfuziante aventura sensitiva.

No entanto, neste ambiente superlativo, montado num charmoso edifício construído na década de 1950, o que predominam são as flores. Praticamente todos os cômodos e vasos estão tomados por de diversas espécies, diversas cores. 

Cortejar o Belo, Inspire por Veiling

Paulo as posiciona criteriosamente, como um pintor que dosa os tons de sua paleta com maestria. Orquídeas brancas nas mesas de centro e na estante de livros, as amarelas próximas à sacada, dando boas vindas. Rosas amarelas na mesa de jantar. Lírios, cravos e gérberas também revezam o espaço de tempos em tempos, dependendo da época do ano. 

No verão, predomina o branco das orquídeas, cuja discrição e a neutralidade equilibram o ambiente. “Eu gosto muito dessas orquídeas, elas me dão uma quietude incrível”, diz Paulo, cuja sensibilidade permite que as identifique também pelo cheiro. “Para alguns amigos isso parece loucura, afinal, orquídeas não tem cheiro. Mas, para mim, tem sim, eu consigo inclusive distingui-las pelo odor”,  ressalta a proeza com um sorriso juvenil. 

Delicadeza e destreza 

Entre os tons, o amarelo é sua grande predileção. Paulo conta que em fevereiro, mês do seu aniversário, a casa fica muito mais amarela. Ele recebe flores dos amigos, que sabem do gosto por girassóis, rosas e gérberas no tom dos raios do sol.  “Não sei explicar o por quê, mas desde criança eu tenho esse gosto pelo amarelo”, diz o professor. 

A relação com as flores de corte é revelada numa brincadeira. “Eu costumo dizer que eu tenho duas mãos esquerdas, pois não sou uma pessoa muito habilidosa para tarefas manuais. Na verdade, eu não tenho habilidade manual nenhuma. O que eu sei respeita-las, eu converso com elas, eu tenho uma historia com elas, mas é engraçado, eu não sou esse que põe a mão na terra.”

No entanto, Paulo não dispensa certos truques e muito carinho. Corta caules com cuidado, na transversal, e segue um verdadeiro ritual na manutenção do solo: as orquídeas, por exemplo, são regradas sempre com três pedras de gelo. As de corte, quando troca a água, sempre a coloca mais gelada. “Eu acho que assim elas duram mais e ficam mais felizes”, comenta.  

Tal como um pintor, ele revela que há um componente extremamente intuitivo na forma como lida com as cores: “Eu vou na loja e acho bonito e pronto. As flores fazem um sinal para mim e eu as escolho. Na verdade, acho que as flores que me escolhem, eu me sinto cortejado pelo que vou levar para casa. E quando chego aqui, tudo parece que se encaixa perfeitamente”, conclui Paulo, com a modéstia dos grandes artistas.