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Em família

Ao incentivar seus funcionários ao estudo, empresa do ramos de flores mudou a vida de uma família inteira, e fez brotar o amor pelo conhecimento.

“Aqui na empresa eu construí uma família”, diz Maria Aparecida da Silva, que há 26 anos trabalha no Sítio Kolibri, empresa produtora de flores da cidade de Holambra, a 130 quilômetros da capital paulista. E ela não está exagerando ou fazendo metáforas: em 1993 ela entrou na empresa e conheceu Valdemir dos Santos. Aproximaram-se, apaixonaram-se e se casaram. Valdemir tinha vindo da Bahia e começou a trabalhar na empresa aos 21 anos. Permanece até hoje. Maria teve ali seu primeiro emprego, e não saiu mais. “Eles sempre nos auxiliaram em tudo e eu gosto muito de trabalhar aqui. Me sinto sempre em família”, diz Maria. 

“Desde pequena falava pros meus pais que tinha vontade de trabalhar aqui. E depois de um tempo esse sonho se realizou e vim trabalhar com eles”

Duas décadas depois, além do casal, quem segue entre corredores repletos de flores do Sítio Kolibri é a filha, Letícia Silva Santos, com 19 anos, fruto do encontro ocorrido na empresa. “Desde pequena falava pros meus pais que tinha vontade de trabalhar aqui. E depois de um tempo esse sonho se realizou e vim trabalhar com eles”, diz Letícia. Ela conta que quando começou na empresa, ficou com receio de trabalhar ao lado dos pais, mas que a forma como os funcionários se relacionam ajudou muito. “Aqui já é como uma família”, completa a garota, referindo-se à tradição do Sítio Kolibri, empresa cooperada da Veiling Holambra, de valorizar as relações entre os empregados e o cooperativismo. 

Ler o mundo

Nos últimos anos, mais que bens materiais, o Sítio Kolibri ofereceu a Valdemir e Maria algo que há muito fazia falta na vida do casal: estudar. Os dois sofriam cotidianamente com a dificuldade de ler rótulos, placas, nomes, números. Com o incentivo da empresa, que ofereceu aulas a seus funcionários duas vezes por semana, hoje o casal se vê mais forte e unido, tanto na empresa quanto fora dela. “Eu, antes, quando ia ler um vencimento, um rótulo, por exemplo, tinha que pedir a ajuda de alguém. Hoje me sinto mais confiante e independente”, diz Valdemir. Maria tem a mesma sensação: “Para mim mudou muita coisa, porque não tive oportunidade de estudar quando era criança. Evoluí muito aqui. Acho que isso foi bom pra mim e é bom para a empresa também”, conclui. 

Letícia, que teve a oportunidade de frequentar a escola desde criança, se viu numa situação inusitada: ajudar os pais com os estudos. “Eu me sentia muito empolgada, porque estava ajudando as duas pessoas que mais amo. Eles queriam aprender mais, queriam evoluir. Foi muito gratificante”, completa. Como exemplo dessa evolução, ela destaca o uso da internet, que passou a fazer parte da vida de Valdemir e Maria com o aprendizado da leitura.  

Líder do setor de colheita, e cursando faculdade de administração, a garota pretende seguir no ramo das flores, seguindo sua carreira na mesma empresa. “As pessoas daqui têm muito respeito umas pelas outras. Eu sou grata pelo que fizeram aos meus pais e isso me dá muito mais vontade de trabalhar”, completa. Sem perceber, Letícia nos ensina que a felicidade, o respeito e o trabalho fazem parte de um ciclo que envolve sempre muitas pessoas. Basta ler nas entrelinhas.